Muitos eletricistas se concentram em seguir corretamente as normas, escolher a bitola ideal dos cabos, definir os disjuntores corretos e calcular a quantidade de tomadas. Embora tudo isso seja essencial, existe um fator técnico muitas vezes negligenciado — mas que pode comprometer todo o desempenho e segurança da instalação: o agrupamento de circuitos elétricos.
Esse agrupamento ocorre quando diferentes circuitos — por exemplo, iluminação, tomadas e chuveiros — são passados juntos dentro do mesmo eletroduto (conduíte). À primeira vista, pode parecer uma solução prática e econômica. No entanto, esse tipo de escolha pode gerar consequências sérias e silenciosas.
Mesmo que o projeto esteja de acordo com a norma e os cálculos estejam corretos, o agrupamento excessivo pode levar ao aumento da temperatura dos cabos, à elevação da resistência elétrica e, principalmente, ao aumento da corrente circulante. Isso ocorre por fenômenos eletromagnéticos, como a força contraeletromotriz, que surge quando fluxos magnéticos de diferentes circuitos interagem em um espaço confinado.
Na prática, isso significa que a instalação pode:
- exigir condutores mais grossos, elevando o custo final do projeto;
- apresentar perdas de energia maiores, impactando a conta de luz ao longo dos anos;
- ou até mesmo comprometer a proteção dos circuitos, oferecendo riscos à segurança.
Por isso, neste post, você vai entender em detalhes:
- o que é o agrupamento de circuitos elétricos e como ele acontece;
- por que ele interfere diretamente na corrente elétrica e na demanda instalada;
- e como utilizar ferramentas inteligentes pode evitar esses erros e garantir uma instalação mais segura, eficiente e econômica.
O que é agrupamento de circuitos elétricos?
Antes de qualquer coisa, é essencial compreender com profundidade o que significa agrupamento de circuitos elétricos.
Esse termo se refere à prática de passar dois ou mais circuitos diferentes por dentro do mesmo eletroduto (também conhecido como conduíte). Em vez de dedicar um eletroduto exclusivo para cada tipo de circuito — como um para iluminação, outro para tomadas e um terceiro para cargas específicas como chuveiro ou ar-condicionado — o profissional opta por reunir todos (ou parte deles) em um único caminho físico.
Num primeiro momento, essa escolha pode até parecer inteligente: afinal, diminui o número de conduítes, economiza espaço na tubulação e reduz o uso de materiais, como eletrodutos e acessórios de passagem. Além disso, aparentemente, facilita a instalação e agiliza o andamento da obra.
No entanto, apesar dessa aparência vantajosa, essa prática pode trazer consequências técnicas negativas. O principal problema é que, ao colocar vários circuitos juntos dentro de um mesmo eletroduto, surgem efeitos eletromagnéticos entre os cabos que aumentam a resistência elétrica e a corrente circulante, algo que nem todos os profissionais consideram ou calculam corretamente.
Esse aumento da corrente impacta diretamente no aquecimento dos cabos, na eficiência da instalação, no dimensionamento dos disjuntores, e até no cálculo da demanda instalada, o que, por sua vez, pode influenciar no projeto aprovado pela concessionária e nos custos ao longo de toda a vida útil da instalação.
Por isso, entender e respeitar os limites do agrupamento é uma das competências mais importantes para quem projeta ou executa instalações elétricas com segurança e eficiência.
Por que o agrupamento de circuitos elétricos aumenta a corrente?
Aqui está o ponto que confunde muita gente — e com razão, porque o efeito não é visual e nem fácil de perceber a olho nu.
Quando você passa circuitos diferentes dentro de um mesmo eletroduto, eles compartilham o mesmo espaço físico. Isso cria um ambiente onde os campos magnéticos gerados pelos cabos de um circuito podem interferir nos cabos do outro circuito.
Esse fenômeno é bastante parecido com o que acontece em um transformador: um circuito gera um fluxo magnético que induz uma corrente no circuito vizinho, mesmo que eles não estejam eletricamente ligados. Essa corrente que surge no segundo circuito tem sentido contrário à corrente original, e por isso é chamada de força contraeletromotriz (Fcem).
Agora, o que isso causa na prática?
- Essa corrente contrária atua como uma resistência extra.
- Isso faz com que o circuito precise “trabalhar mais” para manter a corrente original fluindo.
- Como consequência, o sistema precisa aumentar a corrente elétrica real para vencer essa resistência adicional.
- E mais corrente = mais aquecimento, maior queda de tensão e, claro, maior risco de sobrecarga.
Por isso, mesmo que a carga ligada ao circuito não tenha mudado, o agrupamento de circuitos elétricos faz com que a corrente real aumente — apenas por causa da forma como os condutores foram dispostos no eletroduto.
Esse aumento de corrente não aparece facilmente se o cálculo não considerar o fator de agrupamento. Por isso, ele é um ponto crítico no projeto elétrico: pode gerar aquecimento excessivo, queda de rendimento e até riscos de incêndio se for ignorado.
O impacto direto na demanda instalada (e no bolso do cliente)
Agora chegamos à parte mais crítica de todo esse processo: os impactos financeiros e técnicos causados por escolhas erradas no projeto elétrico — especialmente em relação ao agrupamento de circuitos elétricos.
A demanda instalada representa a quantidade de potência que uma instalação necessita para funcionar corretamente. Ela é calculada com base na potência elétrica total prevista, levando em conta os equipamentos e o uso simultâneo esperado.
No entanto, quando ocorre agrupamento de circuitos em um mesmo conduíte, há um aumento da corrente elétrica devido à interferência eletromagnética entre os cabos. Esse aumento não tem relação com a carga real (como chuveiros ou lâmpadas), mas sim com o efeito físico de agrupar os condutores. E isso muda tudo.
Esse aumento de corrente impacta diretamente:
- Na demanda instalada: já que a corrente é maior, a potência considerada no cálculo também será maior;
- No dimensionamento interno: os cabos precisarão ser mais grossos e os disjuntores mais potentes, elevando o custo de material;
- Na solicitação de carga à concessionária: o projeto vai exigir uma carga maior que, talvez, nem seja necessária.
Ou seja, ao tentar economizar R$ 100, R$ 200 de conduíte hoje, o cliente pode pagar milhares de reais a mais ao longo de 20 ou 30 anos — tanto em materiais desnecessários quanto em aumento de consumo de energia e possíveis problemas técnicos.
Além disso, se a demanda for mal calculada, o projeto corre o risco de ser reprovado pela concessionária, exigindo:
- nova análise,
- retrabalho completo,
- mais tempo para aprovação,
- e, claro, custos extras que saem do bolso do cliente — ou do seu, se for um erro do profissional.
Portanto, entender e aplicar corretamente o conceito de agrupamento de circuitos e sua influência na demanda é essencial para garantir um projeto eficiente, seguro e econômico.
Por que TUG e iluminação não são calculadas pela carga real?
Outro ponto essencial — e frequentemente mal interpretado — envolve o dimensionamento dos circuitos de TUG (tomadas de uso geral) e iluminação. Muitos profissionais acreditam que, por as cargas atuais (como TV, videogame ou lâmpadas LED) consumirem pouca energia, o dimensionamento pode ser feito com base apenas nesses aparelhos.
No entanto, essa lógica está incorreta.
A norma técnica (NBR 5410) estabelece critérios padronizados e conservadores para esses pontos, não com base nas cargas atuais, mas sim considerando o consumo máximo que o circuito pode eventualmente suportar ao longo do tempo. Isso significa que o foco está na capacidade dos cabos e disjuntores, e não nos aparelhos ligados hoje.
✅ Em outras palavras: o eletricista precisa dimensionar o circuito para suportar a carga máxima possível prevista pela norma, e não apenas os aparelhos que o cliente está usando no momento.
Mesmo que, atualmente, todas as lâmpadas sejam LED e os eletrônicos sejam mais econômicos, o circuito precisa estar preparado para situações futuras, onde novos equipamentos mais potentes podem ser adicionados. Afinal, uma instalação elétrica é feita para durar décadas e deve resistir a mudanças de uso sem colocar em risco a segurança da residência.
Essa previsibilidade garante que os condutores não sejam sobrecarregados, os disjuntores funcionem corretamente e, principalmente, que a instalação permaneça segura e eficiente ao longo dos anos.
TUE: aqui sim você calcula pela carga
Por outro lado, quando falamos de TUE (Tomada de Uso Específico), o cenário é bem diferente das TUGs e da iluminação.
Isso porque a TUE é destinada a equipamentos que possuem uma potência elevada, como:
- chuveiros elétricos,
- ar-condicionado,
- torneiras elétricas,
- micro-ondas potentes,
- máquina de lavar,
- entre outros.
Esses equipamentos têm consumo considerável e funcionam de forma isolada, ou seja, não compartilham o circuito com outras cargas. Por isso, o profissional calcula olhando diretamente para a potência real da carga — diferentemente das TUGs, em que ele considera o circuito e não os aparelhos em si.
Exemplo prático:
- Um chuveiro de 5400 W exige um circuito exclusivo apenas para ele.
- O condutor (fio) é dimensionado com base na corrente elétrica que essa potência consome.
- O disjuntor é escolhido considerando essa mesma corrente, para garantir a proteção correta do circuito.
Ou seja, todo o conjunto (fiação + disjuntor) é montado sob medida para suportar exatamente a potência real daquele equipamento.
Agora, se você mistura esse tipo de circuito pesado com outros dentro do mesmo eletroduto (conduíte), entra no problema do agrupamento. Esse agrupamento altera o comportamento eletromagnético dos cabos, aumenta a corrente circulante e, por consequência, pode comprometer a segurança da instalação elétrica.
Esse risco é real — e comum em instalações mal planejadas.
Por isso, o ideal é que cada TUE tenha seu próprio eletroduto, garantindo desempenho, segurança e conformidade com a norma.
O maior problema não é do teto até a parede…
Muitas pessoas acreditam que resolver o problema de tomadas insuficientes ou passagens difíceis de cabos se resume a quebrar a parede e colocar mais eletrodutos no cômodo. Embora isso possa ajudar em alguns casos, essa solução foca apenas na superfície do problema.
A verdadeira área crítica da instalação elétrica está em outro ponto:
👉 do quadro de distribuição até os cômodos da casa.
É justamente nesse trecho principal que passam os circuitos mais exigentes — e é onde erros técnicos podem comprometer a instalação inteira.
Por exemplo, imagine que uma residência tenha três chuveiros elétricos. Cada um deles demanda um circuito exclusivo, com cabos de bitola maior e disjuntores específicos para suportar sua potência. Quando você passa esses três circuitos juntos em um único conduíte, o problema aparece.
Esse tipo de agrupamento de circuitos pesados no mesmo eletroduto pode:
- Elevar a corrente em função do aumento da resistência elétrica provocada pelo acoplamento magnético entre os cabos;
- Aumentar o aquecimento interno do conduíte, já que os cabos próximos trocam calor entre si;
- Ampliar as perdas de energia, o que reduz a eficiência da instalação e pode elevar a conta de luz;
- E, em casos mais extremos, levar a falhas graves, como danos nos cabos, disparos incorretos de disjuntores ou até riscos de incêndio.
Ou seja, não adianta reforçar apenas a parte visível da obra. O verdadeiro cuidado técnico precisa estar nas rotas principais, nos dimensionamentos corretos e, principalmente, na separação inteligente dos circuitos desde o quadro de distribuição.
Como evitar erros com agrupamento? Use o eCAD Labs
Hoje em dia, o trabalho do eletricista profissional vai muito além de conhecer normas e técnicas de instalação. Ele também precisa pensar estrategicamente e usar ferramentas que otimizem seu tempo, aumentem a precisão do projeto e garantam segurança e economia para o cliente.
É nesse ponto que entra o eCAD Labs, uma plataforma desenvolvida para automatizar o projeto elétrico residencial, especialmente pensado para os desafios práticos do eletricista moderno.
O sistema atua de forma inteligente e automatizada, realizando tarefas que, normalmente, demandariam tempo, cálculos e muita atenção. Veja o que ele faz:
- Reconhece automaticamente os pontos de tomada e iluminação definidos no projeto;
- Identifica e considera as tomadas de uso específico (como chuveiros, ar-condicionados, micro-ondas, etc.), que exigem cuidados extras no dimensionamento;
- Distribui os circuitos de forma eficiente, considerando a carga de cada um e a melhor separação;
- Evita rotas com agrupamento de circuitos elétricos inadequado (FCA), que podem causar aumento de corrente, aquecimento e perdas, como explicado anteriormente.
Além disso, o eCAD Labs gera automaticamente todos os cálculos necessários, incluindo:
- Cálculo de demanda elétrica conforme os critérios da NBR 5410;
- Ajustes conforme as normas internas de cada concessionária de energia, que muitas vezes variam de região para região.
Com isso, o profissional:
✅ ganha tempo,
✅ reduz drasticamente os erros,
✅ e entrega projetos com alto nível técnico e segurança — prontos para aprovação, execução e economia de longo prazo para o cliente.
Ou seja, é uma solução que une tecnologia, produtividade e confiabilidade, tudo em uma única ferramenta.
Conclusão: agrupamento de circuitos elétricos não é detalhe — é responsabilidade
Em resumo, o agrupamento de circuitos elétricos tem um papel crítico na performance de toda a instalação. Quando diferentes circuitos compartilham o mesmo eletroduto, ocorre um aumento na resistência elétrica por conta de fenômenos como a força contraeletromotriz — um efeito de interferência magnética entre os condutores. Esse aumento de resistência exige mais corrente elétrica para manter o funcionamento dos equipamentos, o que pode levar a aquecimento excessivo, sobrecarga dos cabos e maior consumo de energia ao longo do tempo.
Além disso, esse impacto técnico afeta diretamente o cálculo da demanda instalada. Como a corrente real aumenta, a potência total da instalação também se eleva — mesmo que as cargas ligadas continuem as mesmas. Isso significa que o agrupamento pode levar à necessidade de disjuntores e cabos mais robustos, aumentando o custo do projeto e da execução, além de influenciar diretamente na solicitação de carga com a concessionária.
Portanto, o agrupamento não é um simples detalhe da obra, mas sim uma decisão técnica estratégica que interfere:
- Na eficiência energética da instalação;
- Na durabilidade e segurança dos condutores;
- Na precisão do cálculo de demanda;
- E na economia de longo prazo para o cliente.
Ignorar esse conceito é colocar em risco toda a integridade da instalação. Por outro lado, dominar o agrupamento permite que o eletricista projete sistemas mais seguros, otimizados e em conformidade com as normas.
Quanto mais cedo você entender isso, mais capacitado estará para entregar projetos inteligentes e profissionais, valorizando o seu trabalho no mercado.
👉 Continue aprendendo sobre elétrica aplicada e projetos residenciais no canal da Sala da Elétrica no YouTube e transforme seu conhecimento técnico em autoridade profissional no campo.

