Ajuste do Relé Térmico em Estrela-Triângulo | Evite Queimar Motor

Quando falamos em proteção de motores elétricos, o ajuste do relé térmico é um dos pontos mais críticos do projeto. No entanto, muitos profissionais ainda cometem um erro comum ao configurar essa proteção, principalmente em partidas estrela-triângulo.

E o problema é SÉRIO!

Um ajuste incorreto pode fazer com que o relé térmico simplesmente não atue quando deveria. Consequentemente, o motor pode operar em sobrecarga por muito tempo até sofrer danos graves.

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Por isso, entender corretamente o ajuste do relé térmico não é apenas uma questão de teoria — é uma questão de proteção do equipamento e de segurança da instalação.

Como Funciona a Partida Estrela-Triângulo

Antes de entender o ajuste do relé térmico, é importante lembrar como funciona a partida estrela-triângulo.

Esse tipo de partida é muito utilizado em motores trifásicos, pois reduz a corrente de partida. Inicialmente, o motor liga em estrela, fazendo com que cada bobina receba uma tensão menor. Dessa forma, a corrente de partida também diminui.

Em seguida, após o motor ganhar velocidade, ocorre a mudança para triângulo, permitindo que o motor opere com sua tensão e potência nominais.

Durante esse processo, existem diferenças importantes entre tensão de linha, tensão de fase, corrente de linha e corrente de fase. Essas relações elétricas influenciam diretamente o ajuste do relé térmico, pois determinam qual corrente realmente está passando pelo ponto onde o relé está instalado.

Partida Estrela Triangulo

Relação Entre Corrente de Linha e Corrente de Fase

Primeiramente, é importante lembrar uma relação fundamental que influencia diretamente o ajuste do relé térmico.

Na ligação estrela, a corrente que entra no motor é a mesma que passa pelas bobinas. Ou seja:

  • Corrente de linha = Corrente de fase

Isso significa que a corrente não se divide nesse ponto do circuito.

Entretanto, na ligação triângulo, o comportamento muda. Quando a corrente chega ao ponto de conexão das bobinas, ela encontra dois caminhos possíveis e se divide.

Por isso, temos a relação:

  • Corrente de fase = Corrente de linha ÷ √3

Consequentemente, a corrente que circula em cada bobina é menor do que a corrente de linha. E é justamente essa diferença que precisa ser considerada para realizar corretamente o ajuste do relé térmico.

O Erro Mais Comum no Ajuste do Relé Térmico

Imagine um motor trifásico com corrente nominal de 10 A.

Ao olhar apenas para esse valor, muitos profissionais acreditam que o ajuste do relé térmico deve ser feito diretamente em 10 A, já que essa é a corrente indicada na placa do motor. À primeira vista, essa lógica parece correta, afinal o relé térmico tem justamente a função de proteger o motor contra sobrecarga.

No entanto, quando estamos falando de partida estrela-triângulo, essa forma de ajuste não está correta.

Ajuste do Relé Térmico

Onde Acontece o Erro no Ajuste do Relé Térmico

Isso acontece porque, nesse tipo de partida, o relé térmico geralmente não está instalado antes do motor medindo toda a corrente de linha, mas sim em um ponto do circuito onde a corrente já passou pelo conjunto de contatores responsáveis pela comutação da ligação.

Nesse ponto do circuito ocorre algo importante: a corrente que chega até ali se divide entre os caminhos das bobinas do motor.

Em outras palavras, o relé térmico não está medindo a corrente total que sai da rede, mas sim a corrente que efetivamente circula por cada conjunto de enrolamentos do motor.

Consequentemente, o valor de corrente que passa pelo relé térmico será menor do que a corrente nominal de linha do motor.

É exatamente por isso que o ajuste do relé térmico em partida estrela-triângulo não pode ser feito diretamente com a corrente nominal da placa. Se isso for feito, o relé ficará ajustado para um valor muito alto e poderá demorar demais para atuar em caso de sobrecarga.

Portanto, para que a proteção seja realmente eficaz, o ajuste do relé térmico deve considerar a divisão de corrente que ocorre na ligação triângulo, garantindo que o dispositivo esteja calibrado para a corrente real que passa por ele no circuito.

Como Calcular o Ajuste do Relé Térmico

A regra correta é simples, mas precisa ser aplicada corretamente para garantir a proteção do motor.

Em partidas estrela-triângulo, o ajuste do relé térmico não deve ser feito diretamente com a corrente nominal do motor. Isso acontece porque o relé geralmente está posicionado após o ponto onde a corrente se divide para as bobinas do motor.

Por esse motivo, o valor de ajuste deve considerar essa divisão de corrente.

Assim, o ajuste do relé térmico deve ser calculado da seguinte forma:

Corrente de ajuste = Corrente nominal do motor ÷ √3

Na prática, muitos profissionais utilizam a aproximação:

Corrente de ajuste = Corrente nominal × 0,58

Por exemplo, para um motor com corrente nominal de 10 A:

10 ÷ √3 ≈ 5,8 A

Portanto, o ajuste do relé térmico correto seria aproximadamente 5,8 A, garantindo que o relé consiga proteger o motor contra sobrecargas.

O Que Acontece se o Ajuste Estiver Errado

Se o relé térmico for ajustado para 10 A nesse cenário, o sistema de proteção ficará configurado muito acima da corrente que realmente passa pelo relé dentro de uma partida estrela-triângulo. Isso acontece porque, nessa configuração, a corrente que o relé “enxerga” não é a corrente de linha do motor, mas sim a corrente de fase, que é aproximadamente 58% da corrente nominal (corrente nominal ÷ √3).

Portanto, se o motor possui corrente nominal de 10 A, o relé térmico deveria estar ajustado próximo de 5,8 A. No entanto, ao configurá-lo diretamente em 10 A, você cria uma situação em que o sistema de proteção permite uma corrente muito maior do que a que realmente circula pelo ponto onde o relé está instalado.

Consequentemente, o motor poderá trabalhar em regime de sobrecarga por muito mais tempo sem que o relé atue, pois o dispositivo só irá disparar quando a corrente ultrapassar um valor que, na prática, já representa uma condição extremamente crítica para o motor.

Na prática, isso pode causar diversos problemas operacionais e de manutenção, como por exemplo:

  • Superaquecimento do motor, causado pelo aumento contínuo da corrente nas bobinas;
  • Degradação da isolação dos enrolamentos, já que o calor excessivo acelera o envelhecimento dos materiais isolantes;
  • Redução significativa da vida útil do equipamento, exigindo manutenção ou substituição prematura;
  • Queima do motor, em casos mais graves, quando a sobrecarga permanece por tempo suficiente para danificar os enrolamentos.

Ou seja, um erro aparentemente simples no ajuste do relé térmico pode fazer com que o sistema de proteção praticamente deixe de cumprir sua função principal: proteger o motor contra sobrecargas. Por isso, entender corretamente onde o relé está instalado no circuito e qual corrente ele realmente monitora é fundamental para garantir a proteção adequada do equipamento.

Diferença Entre Relé Térmico e Disjuntor Motor

Outro ponto importante é entender a diferença entre os dispositivos de proteção no circuito.

Quando utilizamos relé térmico, o ajuste depende diretamente da posição onde ele está instalado no diagrama de potência. Em partidas estrela-triângulo, existe um ponto no circuito onde a corrente se divide para alimentar as bobinas do motor. Se o relé térmico estiver instalado após esse ponto, ele não estará medindo a corrente total da linha, mas apenas a corrente que segue para as bobinas.

Consequentemente, o valor de corrente que passa pelo relé é menor do que a corrente nominal do motor. Por isso, o ajuste do relé térmico deve considerar essa divisão de corrente, sendo calculado da seguinte forma:

Corrente de ajuste = corrente nominal do motor ÷ √3

Por outro lado, quando utilizamos um disjuntor motor, a situação é diferente. Normalmente, o eletricista instala o dispositivo antes do ponto onde a corrente se divide, ou seja, ele mede a corrente total que alimenta o motor.

Assim, como não há divisão de corrente nesse ponto do circuito, o ajuste deve ser feito diretamente com a corrente nominal do motor.

Em resumo:

  • Relé térmico em estrela-triângulo → corrente nominal ÷ √3
  • Disjuntor motor → corrente nominal do motor

Entender essa diferença é essencial para garantir que a proteção atue corretamente e evitar danos ao motor.

Ajuste do Relé Térmico - relé térmico e disjuntor motor

Leia também: Disjuntor Motor ou Relé Térmico | Qual Devo Usar?

Por Que Esse Conhecimento é Importante

Dominar o ajuste do relé térmico é essencial tanto para profissionais que trabalham com projetos quanto para quem atua em manutenção industrial. Isso porque esse conhecimento aparece com frequência em situações reais do dia a dia do eletricista.

Por exemplo, em testes técnicos de admissão, muitas empresas avaliam o entendimento do profissional sobre proteção de motores. Nesse contexto, saber realizar corretamente o ajuste do relé térmico pode fazer toda a diferença.

Além disso, esse conceito é muito importante na manutenção de painéis elétricos, já que um ajuste incorreto pode permitir que o motor opere em sobrecarga sem que a proteção atue no momento adequado.

O mesmo vale para projetos de comandos elétricos, onde o dimensionamento correto dos dispositivos de proteção garante segurança e confiabilidade para o sistema. Da mesma forma, em diagnósticos de falhas em motores, verificar o ajuste das proteções é um passo fundamental.

Portanto, compreender corretamente o ajuste do relé térmico demonstra domínio técnico sobre comandos elétricos e proteção de motores, diferenciando o profissional que apenas executa montagens daquele que realmente entende o funcionamento do sistema.

Conclusão

Em resumo, você não deve ajustar o relé térmico em partidas estrela-triângulo diretamente pela corrente nominal do motor, como muitos profissionais ainda fazem.

Isso acontece porque, nesse tipo de partida, a corrente que chega ao ponto de ligação das bobinas se divide entre os enrolamentos. Como consequência, a corrente que passa pelo relé térmico é menor do que a corrente de linha do motor.

Por esse motivo, o ajuste do relé térmico precisa considerar essa relação elétrica para que a proteção funcione corretamente. Caso contrário, o motor pode operar em sobrecarga sem que o relé atue no momento adequado.

Portanto, sempre que estiver configurando esse tipo de proteção, lembre-se da regra:

Ajuste do relé térmico = Corrente nominal do motor ÷ √3

Dessa forma, você garante uma proteção mais precisa, evita aquecimento excessivo e aumenta a vida útil do motor.

Agora fica a pergunta: você já aplicava corretamente o ajuste do relé térmico ou costumava usar apenas a corrente nominal do motor?

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Everton Moraes

Everton Moraes

Professor, palestrante e instrutor de treinamentos a mais de 9 anos. Já passou por grandes empresas no Brasil como, Senai, Scania, Pirelli, Toledo entre outras. Todo o conhecimento adquirido em 20 anos de carreira é disponibilizado nos cursos e treinamentos.

“Sou apaixonado pela formação e qualificação de profissionais, passando todo o meu conhecimento prático e ajudando todos os meus alunos a também adquirirem esse conhecimento a se tornarem melhores profissionais.”

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